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Ter, 21/02/2017 às 08:00

Projeto leva conhecimento audiovisual para Cairu

Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

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  • Nathalia Reis | Divulgação

    O resultado do trabalho dos jovens é exibido em telão - Foto: Nathalia Reis | Divulgação

    O resultado do trabalho dos jovens é exibido em telão

Em ritmo de funk, um improvisado carro de som percorre as vielas da Velha Boipeba, no arquipélago de Cairu, guiado por jovens que cantam uma música: "Alô Boipeba, a música é assim: /fizemos dois filmes, do monstrinho e da Nataly./ O lixão é o monstrinho,/ a Nataly é a menina do docinho". Está feito o convite.

Os jovens que participam do projeto Cinema e Sal abordam os moradores locais para assistirem, ao ar livre, aos filmes que eles mesmos fizeram durante uma oficina de audiovisual. O projeto é coordenado pela cineasta Lara Belov, da produtora Tenda dos Milagres, e chegou a sua segunda edição na ilha, entre o ano passado e este, coroado com a exibição pública no último final de semana em Boipeba.

Cairu é onde está localizado Morro de São Paulo, famoso ponto turístico baiano. É um dos raros municípios brasileiros formados por ilhas, 26 no total. O projeto se concentrou em trabalhar com jovens de comunidades pesqueiras menos conhecidas da região, como Velha Boipeba, Garapuá e Gamboa.

Cunho social

O resultado dos filmes foi exibido em praça pública de Boipeba no último sábado e domingo. Grande parte das pessoas da comunidade estava vendo filmes pela primeira vez em um telão. E mais importante que isso, eles estavam vendo histórias sobre sua própria realidade e paisagem natural.

"O que a gente quer construir é uma rede audiovisual que dê conta de revelar as narrativas, as identidades, a memória das comunidades do arquipélago", conta Belov. O filme do monstrinho, por exemplo, como anunciado na música acima, é sobre o lixão que se acumula desordenadamente em Boipeba e preocupa os moradores. O filme é uma forma de denúncia sobre um problema local com que eles convivem.

Com o apoio do edital do Rumos Itaú Cultural, o projeto Cinema e Sal cresceu. A primeira edição, que aconteceu em 2015, era menor em tempo de oficina e dimensão. E também era feito com crianças. Agora, foi a vez de lidar com adolescentes.

Segundo Lara, "trabalhar com adolescentes é mais potente porque podemos falar de temas mais urgentes, com um caráter mais político, que tenha maior impacto na comunidade". 

Gabriel Oliveira, 15 anos, é um dos jovens participantes mais ativos. Ele, que já havia feito parte da edição anterior, voltou para ser monitor nessa nova etapa. Além de revelar uma vontade de aprender coisas novas, algo tão distante para esses garotos, como manipular uma câmera e fazer um filme, ele já demonstra saber que a atividade é mais do que um trabalho prático.

"O foco do projeto não é nos transformar em cineastas, mas nos ensinar a contar a nossa história do nosso jeito", afirma o garoto. Os coordenadores também acentuam esse caráter de despertar social que o projeto busca desenvolver nos jovens.

Continuidade

"O que eu mais gostei mesmo foi de mexer com a câmera", revela, com sorriso no rosto, Beatriz Santana, 16 anos, outra participante, moradora de Boipeba. Ela revela que sempre gostou e viu filmes na televisão, especialmente os que falam do mar.

Agora, com o fim dessa edição do projeto, Beatriz vai passar a ser a guardiã do núcleo de produção. O projeto vai fornecer equipamentos de filmagem, edição e exibição para que fiquem na ilha à disposição dos jovens, caso eles queiram continuar fazendo filmes, contando com a supervisão das coordenadoras e educadoras locais.

"Nós queremos deixar uma base de multiplicação nas comunidades. Não é só passar e ir embora, o projeto precisa reverberar além da nossa presença aqui", conta Belov.

Cinema comunitário

Todo o projeto desenvolvido no arquipélago de Cairu está filiado ao conceito de Cinema Comunitário. São muitos coletivos e grupos da América Latina que fazem parte de uma rede do qual o Cinema e Sal é só uma pequena parte.

"Esse é um cinema comum, que trata de temas, ideias, lutas comuns a uma comunidade, feito de forma horizontal, participativa, em que o próprio grupo levanta as temáticas relevantes", teoriza Belov.

Para tanto, e apesar de Lara ser muito próxima da região, é importante para o sucesso do projeto a atuação de educadoras locais, como Irá dos Santos e Mismária Costa, respectivamente moradoras de Garapuá e Boipeba. "Nós sempre nos envolvemos com educação e cultura aqui. Começamos no projeto como educadoras, mas acabamos assumindo a produção local. Como pertencentes da comunidade, e por conhecer as pessoas, isso nos introduz diretamente no projeto como um todo", afirma Irá.

As coordenadoras do projeto apontam ainda para a crescente exploração turística que o arquipélago vem sofrendo, com tendência a aumentar. Mas a cultura da ilha resiste com seus moradores, por isso a importância da alfabetização audiovisual na vida cotidiana dos jovens a fim de que eles possam pensar sua própria realidade através das imagens em movimento.

O jornalista viajou a convite do Itaú Cultural


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