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Qui, 29/06/2017 às 11:18 | Atualizado em: 29/06/2017 às 11:20

CineOP encerra com o memoralístico No Intenso Agora

Rafael Carvalho | Especial para o A TARDE*

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    Cena de No Intenso Agora - Foto: Divulgação

    Cena de No Intenso Agora

Sem lançar um novo filme desde 2007, quando fez a obra-prima Santiago, o diretor João Moreira Salles retorna à realização com o documentário No Intenso Agora, filme de encerramento da 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto.

O cineasta faz um filme memoralísitco, uma espécie de investigação histórica, mas a partir de um olhar muito pessoal para imagens feitas na segunda metade dos anos 1960 quando o mundo estava convulsionado por manifestações revolucionárias. Ele parte de imagens que sua própria mãe registrou em viagem à China quando Mao Tsé-Tung já havia implantado o regime comunista no país asiático.

Parte dali para chegar nas imagens das greves gerais do maio de 68 na França, nas manifestações da Primavera de Praga, na então Tchecoslováquia, e também no Brasil quando se enfrentavam os desmandos e arbitrariedades da Ditadura Militar.

Através de depoimento em off, o cineasta cria, ele mesmo, uma série de reflexões e ideias sobre essas imagens e sobre o ideal revolucionário, num verdadeiro trabalho de arqueologia e sociologia, misturado com percepções muito pessoais do que aqueles acontecimentos significam para ele.

Ao mesmo tempo, é possível ler nas entrelinhas que um filme sobre as revoluções populares ocorridas há cerca de 50 anos atrás é também um modo de comentar, indiretamente, o Brasil de hoje, a onda de manifestações e agitações que tomaram conta do Brasil com mais intensidade desde 2013 até então.

A salvação das imagens

Um dos debates mais frutíferos nesta edição da CineOP foi o intitulado “Podem as Imagens Matar/Salvar?”. As discussões giraram em torno dos modos de representação de grupos socialmente desaforecidos e de como as imagens audiovisuais produzidas sobre eles podem criar estigmas crueis, especialmente dos povos indígenas.

Uma das participantes da mesa, Arissana Pataxó colocou em questão a maneira como os indígenas são vistos de modo caricato a partir de experiências que ela mesma já teve com outras pessoas não indígenas. Arissana é a primeira aluna indígena a se formar na Universidade Federal da Bahia, é artista plástica e hoje dá aulas para uma escola da comunidade indígena.

Posteriormente, em outro momento, o cineasta e indigenista Vincent Carelli declarou que “a emergência das manifestações indígenas que se dá cada vez mais agora é uma construção colaborativa das populações indígenas com a sociedade civil brasileira”. Ele se refere ao trabalho que fundou, o projeto Vídeo nas Aldeias, que capacita os povos indígenas a produzir filmes sobre sua própria cultura.

Ao mesmo tempo, tais imagens estão sendo feitas por vários sujeitos em consonância com os próprios índios. Vincent, por exemplo, é responsável pela realização de um dos grandes filmes atuais a lidar com a questão do massacre indígena e a luta pela demarcação de terra, Martírio. O filme já foi exibido nos cinemas comerciais e passou pelo Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Metalinguagem

Como parte da mostra contemporânea, a CineOP apresentou também o filme A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum, da cineasta Ana Carolina. Ela foi uma das pioneiras na direção de filmes no Brasil, tendo feito pelo menos uma grande obra-prima, o icônico Mar de Rosas (1978).

Seu mais recente filme trata-se de uma alegoria metalinguística sobre um diretor de cinema que está fazendo um filme sobre a primeira missa quando do descobrimento do Brasil. No entanto, a produção é interrompida por falta de apoio e de dinheiro, inclusive com a visita dos donos do dinheiro para interromper as filmagens no set.

A partir daí, diretor, produtores, atores se vêem numa série de discussões, desavenças e desentendimentos sobre os caminhos do projeto. O longa é, na verdade, uma grande alegoria em tom farsesco e irreverente que coloca em questão as dificuldades de se fazer cinema no Brasil. Um tipo de discussão que poderia render muitos outros filmes como esse.

* O jornalista viajou para a CineOP a convite do evento.


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