Pular navegação e ir direto para o conteúdo

Sex, 11/08/2017 às 13:31 | Atualizado em: 11/08/2017 às 13:37

Filme dominicano apresenta outras geografias no Cine Ceará

Rafael Carvalho | Enviado para A TARDE*

Você:


Seu Amigo:


Para enviar para outro(s) amigo(s), separe os e-mails com ","(vírgula).

Ex.: nome@exemplo.com.br, nome@exemplo.com.br

Máximo 200 caracteres


(*) Todos os campos são obrigatórios

Reportar Erro:

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas pelo A TARDE preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Máximo 200 caracteres

(*) Todos os campos são obrigatórios

-A A+
  • Divulgação

    "O Homem Que Cuida" demonstra maturidade do cinema dominicano

"O Homem que Cuida" poderia muito bem se chamar “O Caseiro”. O filme, dirigido pelo cineasta da República Dominicana Alejandro Andújar, faz parte da mostra competitiva do Cine Ceará e mostrou um pouco da cara do cinema que é feito por lá.

O filme de Andújar tem clara proposta de discussão social e tensionamento de classes contada a partir da história de Juan (Héctor Aníbal), um homem que trabalha como caseiro na casa de praia de um rico figurão perto da ilha de pescadores de Palmar de Ocoa. Juan é um funcionário de confiança dos patrões e zela para que a enorme casa fique sempre limpa e bem cuidada. Um empregado exemplar.

O filme transcorre no período de poucos dias quando o filho do patrão, o jovem Rich (Yasser Michelén), chega acompanhado de um casal de amigos festeiros, sendo a moça uma moradora local da vila. É nesse ambiente que se desnudam mais claramente a relação de poder e o filme apresenta algumas contraposições: patrão e empregado, pobres e ricos, brancos e negros.

Juan é o tipo taciturno e sério. Carrega a dor de ser apaixonado pela ex-mulher que o abandonou e já está grávida de outro homem. Encara seu emprego como um refúgio, ainda que viva de seguir ordens, tendo de fazer os caprichos do filho mimado do patrão. É claro que as coisas começam a desandar e Juan, como sempre, terá que cuidar para que tudo permaneça como antes. Até ele mesmo.

O filme dominicano, país com pouca tradição cinematográfica, demonstra maturidade e Andújar é um diretor competente para ditar ritmo e segurar um filme que se passa quase que completamente em um mesmo ambiente.

Argentino em novos ares

O representante argentino no Cine Ceará demonstra, mais uma vez, a força e competência do cinema de nossos vizinhos sul-americanos. "Ninguém Está Olhando", de Julia Solomonoff, promove uma bem-vinda mudança de ares: acompanha as desventuras de Nico (Guillermo Pfening), jovem ator argentino que tenta carreira nos Estados Unidos.

Sem muito dinheiro e pagando aluguel em apartamento compartilhado com outras pessoas, começa a trabalhar cuidados dos filhos das amigas conhecidas que vivem lá, além de fazer bicos como garçom.

O filme revela a dureza de certo nicho da indústria audiovisual, que no país americano ganha outros níveis de concorrência, agressividade e exigência. Nico, por exemplo, loiro de olhos claros, enquadra-se mais num biotipo europeu do que no de latino, algo que a indústria já estereotipou há algum tempo. No fundo, o filme é também uma história de pertencimento já que Nico parece o tempo todo desconfortável com as pequenas batalhas que empreende em busca de uma realização profissional em um país que lhe é pouco acolhedor.

"Ninguém está Olhando" possui a grande qualidade dos bons dramas sobre gente quebrada: o traço da melancolia, sem passar a mão na cabeça dos seus personagens e ser condescendente para satisfazer os ditames do final feliz, mas também sem pesar a mão sobre eles, reservando-lhes carinho e dignidade.

Intimismo

Desempenho mais questionável teve o segundo filme brasileiro em competição: "Pedro Sob a Cama", de Paulo Pons. Na trama, Mariano (Fernando Alves Pinto) possui um filho pequeno que nunca conheceu e também um enteado que ele abandonou após a morte acidental da mãe dos meninos. Oito anos depois do incidente e de ter largado tudo, ele volta querendo se reconciliar com os garotos.

É claro que isso reabre cicatrizes do passado e mexe com o emocional de todos. A tentativa de reaproximação de Mariano esbarra na agressividade de Mani, o enteado, e na mudez de Pedro, o filho que ele nunca conheceu. Pedro não fala desde o nascimento, garoto introspectivo, atento ao que se passa ao redor. Descobre a casa para onde Mariano se muda, entra sorrateiro e passa as noites debaixo da cama do pai.

"Pedro Sob a Cama" é um filme intimista, mas escorrega quando precisa amarrar as pontas do roteiro que pode soar inverossímil em muitos momentos. Outros personagens e situações soam caricatas, como o comportamento da cunhada de Mariano no início do filme ou a atitude da avó (vivida por Betty Faria), que tenta impedir o contato de Mariano com os netos. Existe toda uma aposta no intimismo e muito potencial para isso, mas o filme poucas vezes alcança esse tom com propriedade.

* O jornalista viajou a convite da organização do festival.


outras notícias

12/08/2017 às 15:44

Filme argentino é o grande vencedor do Cine Ceará - Foto: Divulgação

Filme argentino é o grande vencedor do Cine Ceará

08/08/2017 às 13:28

Cine Ceará destaca filmes que exploram temáticas LGBT - Foto: Divulgação | Rafael Carvalho

Cine Ceará destaca filmes que exploram temáticas LGBT

26/12/2016 às 20:20

'Minha Mãe É Uma Peça 2' tem segunda melhor estreia do cinema nacional em 2016 - Foto: Reprodução | TV UOL

'Minha Mãe É Uma Peça 2' tem segunda melhor estreia do cinema nacional em 2016

17/11/2016 às 00:01

"Rifle" é o grande vencedor do XII Panorama Coisa de Cinema

< >

Imprimir

imagem

Antes de imprimir lembre-se da sua responsabilidade e comprometimento com o meio ambiente.

Se preferir, envie por e-mail ou gere um arquivo em .pdf

Deseja realmente imprimir? nãosim

Botão Fechar
Copyright © 1997 - Grupo A TARDE.Todos os direitos reservados.
Rua Prof. Milton Cayres de Brito n° 204 - Caminho das Árvores - Salvador/BA. CEP: 41.820 - 570 Tel.: ( 71 ) 3340 - 8500 | Redação: ( 71 ) 3340 - 8800
últimas notícias