Metropolitana

Da Redação Sex , 23/08/2019 às 11:48 | Atualizado em: 23/08/2019 às 12:04

IV Semana do Orgulho LGBT de Itinga debate feminicídio



Com o tema “Nossas vidas importam: criminalização da LGBTFOBIA já”, a IV Semana do Orgulho LGBT de Itinga prossegue até domingo (25), em Lauro de Freitas. Promovido pelo Coletivo de Lésbicas, Bissexuais, Gays, Travestis e Transexuais (CLBGT), o evento traz na sua programação questões como violência, saúde, ancestralidade e cidadania, com a proposta de celebrar o respeito à diversidade e fortalecer a luta pelos direitos da comunidade através da troca de conhecimentos. Nesta sexta-feira (23), o “Xirê das pretas”, programado para às 17h, no Teatro Eliete Telles, vai abordar “Ancestralidade, resistência, cultura e diversidade”, em alusão ao dia 29 de agosto, quando se comemora a visibilidade lésbica.

Durante a semana, um dos destaques foi a conferência que tratou sobre criminalização da LGBTfobia e o feminicídio e seus impactos, com os convidados a socióloga Vilma Reis e o advogado Roberto Araújo, bem como a temática “Saúde e cidadania LGBT+”. A IV Parada Cultural do Orgulho LGBT+ de Itinga encerra suas atividades no domingo (25), com saída às 13h da pracinha do Terraplac até o Largo do Caranguejo. 

A presidente do coletivo CLGBT, Joselia dos Santos, ressalta que, apesar de a IV Semana do Orgulho LGBT ser realizada no bairro de Itinga, as atividades são abertas para todos os interessados do município. “Esta é mais uma edição que busca disseminar conhecimentos referentes à população LGBT+ para toda a sociedade. Antes, nosso coletivo era apenas de mulheres lésbicas e hoje contempla todas as letras da comunidade em sinal da união e luta por nossos direitos”, destacou. 

Os direitos já conquistados pela população LGBT foram ressaltados pela prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho. “A partir do lançamento do Programa Brasil sem Homofobia, em 2004, tivemos avanços nos direitos para pessoas LGBT, como a união homoafetiva, e a resolução para o nome social, dentre outros, e hoje estão ameaçados pelo governo federal. Precisamos avançar mais nas políticas públicas e não podemos recuar na luta pela permanência dos direitos já garantidos. A sociedade transita pela cultura do ódio, do machismo, racismo, e precisamos desconstruir tudo isso”. 

A socióloga Vilma Reis chamou a atenção para a criminalização da LGBTfobia aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “A população LGBT vive diariamente sobre olhares vigiados. Somos pessoas que produzimos ciência, conhecimentos, mas, ainda assim, somos encaradas como descomprometidas. Apesar do reconhecimento do STF, precisamos da garantia de um projeto de lei”, ressaltou. Entre propostas levantadas por Vilma, também está à transformação de locais onde aconteceram crimes contra as pessoas LGBTs em espaços de resistência. 

Na discussão sobre o feminicídio, a coordenadora do Centro de Referência Lélia Gonzalez de Lauro de Freitas, Sulle Nascimento, refletiu a necessidade de implementar estratégias no atendimento público para essas mulheres. “Quando falamos de um serviço de atenção e proteção a mulheres vítimas de violência, devemos também nos preparar para atender todos os públicos”. Segundo Sule, o número de mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais atendidas em serviços de proteção e de saúde são quase zero se comparado ao de mulheres heterossexuais.

Organizado pelo Coletivo, o evento conta com as parcerias da Prefeitura de Lauro de Freitas, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, do Conselho Municipal de Políticas Culturais e do Fundo Municipal de Cultura.